segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Só Corro


Escrevo reto em linhas tortas
pedaços e retalhos de sentimentos
que habitam território do coração.
E feito dedilhado de violão,
procuro harmonia entre acordes e melodias 
para forças antagônicas alinhar:
Mente e coração que se digladiam
qual toureiro e touro bravo em arena.
Um não sabe ceder, o outro não quer recuar.
Metade âncora, deseja permanecer;
Metade barco, deseja navegar. 

Sou água de nascente
que deságua em cachoeira,
para leito de rio acariciar.
Um dia abro asas e me solto no ar.
Imagino nuvem de algodão
com infinito horizonte a me guiar.
Talvez fisicamente conseguirei
ou voarei livre apenas no território do pensar.

E quando as palavras me sufocam,
é que eu eu encontro meu lugar
Como se caneta fosse avião
e o pensamento, bravo comandante a pilotar.
Neste momento, não tenho amarras
O papel vira asas e as letras traduzem
sonhos com desejo de voar.
Sou eu quem determino
e digo o que virá. 
Aqui sou dona do meu caminhar. 
Piso leve, piso fundo
vou até aonde a vista alcançar.

E se alguém duvidar, tenho resposta certa: 
Sou feito água entre margens de terra.
Desvio de pedras e me ajusto
onde preciso estar.
Às vezes calma, às vezes em turbilhão.
Tenho traçado a me delimitar.
Sou córrego. Amanhã serei rio. 

Um dia, corro para o mar…


Liz Midlej

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