sábado, 7 de julho de 2018

Mais um ano, amor.


Mês de julho chegou, amor.

No calendário Terreno, meio ano já se foi.
As fogueiras foram apagadas e as bandeirolas já não enfeitam os quintais. Guardadas, esperam próximo junho. É que tempo passa assim, feito trem em estação. Corre, corre e não espera quem fica parado em indecisão. Segue apitando seus minutos, dias, anos. Quem vai? Quem fica?

Tem sido tempo de alegria, amor.
Por aqui, verão e outono já passaram. Inverno fez morada e os ipês já mudaram de cor. Agora estão colorindo tudo de roxo, mostrando que florescer não depende de estação. Basta deixar o sol brilhar dentro do peito. E cada folha que vem e vai é promessa de renovação.

Já conto quase meio século de vida, amor.
Quarenta e seis invernos foram embora e os dias frios levaram consigo algumas certezas. Gotas de lágrimas caídas em choro lavaram o peito, molharam semente e fizeram brotar flores que hoje iluminam o sorriso.  
Não sou a mesma de ontem, mas me sinto afortunada com o que ficou. Minha riqueza é medida em coragens e alegrias. Tenho a alma carregada de reconhecimento e gratidão por pessoas e aprendizados que ganhei embrulhados em papel de presente.

Estou vivendo, amor.
As asperezas da vida têm revogado algumas crenças que me faziam bem.
E apesar dos tropeços (ou por causa deles) ainda encontro motivos pra sorrir. Até onde ninguém acha que é possível. Sigo acreditando que a vida tem muita coisa boa a nos oferecer. Acredito mais nos afagos e gentilezas. Na transparência de sentimento, apesar da capa de crueldade que o mundo insiste em vestir. Quero poder olhar para as pessoas com o olhar de dentro para entender o que está fora.
Quero estar em harmonia e equilíbrio entre meus valores e atitudes. Quero ser melhor hoje do que fui ontem.
Só assim vejo sentido em viver.
Só assim topo continuar na estrada.

Que Deus me proteja, amor.
Que eu consiga atravessar a ponte do tempo que falta, sem me deixar contaminar com as mazelas desse mundo em transição. Que eu continue a acreditar na pureza da alma humana, mesmo quando tudo me leva a desacreditar.
Que Deus me conceda mais tempo na estação para encontro de fé com determinação. Encontro de transparência com reserva, na medida certa. Encontro de empatia com solidariedade.

Daqui a pouco os ipês roxos abrirão caminho para os amarelos, que estenderão tapete para os ipês rosas e por fim, a singeleza dos brancos em delicadeza efêmera.
Como os dias, não tardarão a chegar e partir.
É que duram o tempo necessário para arrancar sorrisos do olhar.
E virão dias e mais dias para nossa vida florear.

Flor
e
ar.

Liz Midlej
Julho, 2018

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