quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Tem Peso

Ilustração de Fabiano Carriero

Tem peso?
Quando a gente entrega o corpo ao tempo.
Tem peso?
No esplendor do fluxo... tem?

Quando a gente paira na confiança
e todo antes
e todo depois
são aceitos feito mar que aceita onda...?

Quando a tristeza é vista nos olhos
feito medo
que é encarado e, ali,
se retrai
se contrai
se despede.

O que acontece quando cada gota é entendida como chuva?
Quando cada grão é entendido
como praia
ou deserto
na leveza de ser isto, apenas e tudo:
praia
e deserto.

Meu canto é para que nos entreguemos
ao agora
Na confiança de que cada redemoinho
e cada brisa,
cada luar
ou nuvem
ou raiva
ou laço
ou distância
ou morte
ou vida
pertencem à mesma família de pulso.

Meu canto
é para que não nos esqueçamos
de cantar.
É para que não nos apaguemos
no estar
e para que paremos de relinchar
pelo ou com o novo.

Toda partícula de universo
que treme como tremem as pernas apaixonadas
ou que ri como riem as crianças bem-vividas
anda a apresentar-se agora à nossa frente.
Resta abraçar.

A
bra
çar.

E se for difícil o desapegar
das dores e pedras e contrastes e lamúrias
que tentemos desatar os nós
- de nós.
Olhando para passado
como passado.
Olhando para presente
como presente.

A leveza do agora
é que todo para sempre
reside nele.
A beleza da confiança
é que todo acontecer
reside nela.

E porque não entendo nada mais
a não ser de pontinhos de poeira a voar no sol
é que para eles olho.
E abraço olhar. E isso é tudo.
Todo
tudo.

Genifer Gerhardt
Fonte: Facebook

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