segunda-feira, 6 de março de 2017

Lugar de coração

Corumbá, MS

Parei ali naquelas fotografias. Carregadas de simbologia.

Eu e fotografia parada ali no tempo, feito quadro de parede, a dizer que relógio parou para contemplar emoção. Há silêncio, mas também preenchimento de saudade que cá me abriga. Acolhe. Abraça. Porque tem hora que saudade abraça a gente até que esmaga. 

E paisagem que um dia fez batida de coração mais lenta,  hoje deixa silêncio. Deixa conexão com o sentir. Deixa gratidão por cores e movimentos que olhos presenciaram e pela harmonia de orquestra de passarinhos que, em doce valsa, tornavam momento singular, suave feito toque de piano. Natureza é coisa divina. Coisa de Deus a nos lembrar que somos pequenos grãos em mundo imenso, encantador.

Só respiração se fazia presente naqueles momentos. Tudo o mais era silêncio a acariciar. Nenhum grito é maior que sopro, dizia poeta. O rio corria sereno, como se não quisesse atrapalhar. E o sol se despedia dizendo que tudo tem fim. Que unidos, fim e início, os ciclos se navegam. E lentamente, quase sem querer quebrar o encanto, a noite vinha majestosa a enfeitar de estrelas o véu negro do céu, como a querer mostrar que a sua dualidade também tem beleza. Dia e noite em continuidade, feito ciclo de vida, feito tudo que finda e tudo que nasce. Tudo que brota e sepulta.

São muitas as fotografias. São muitas as saudades. E o lugar lá longe, láááá do outro lado do mapa, tornou grande a gratidão de [vi]ver. E vem um sentir forte de carinho por aquele lugar. Sentir. Sem ti. 

Parece conexão fechar olhos e sentir lugar. Sentir a brisa, o cheiro, o sonho. em morros, céu, ruas, rios, gente, momentos bons. Gente boa, de bem. Gente que acolheu com coração. Memória é algo grandioso, que faz a gente sentir tristeza e alegria. Tudo junto. Porque momento bom imprime lembrança em alma feito carimbo e a gente relembra pedacinhos de dias costurados em colcha de retalho, que nem pausa suave de vírgula, que nem criança que pede pra brincar de novo. 

E a gente lembra, lembra, lembra. E sabe que aquele lugar chama coração para voltar. E um dia a gente volta. Para atender pedido de coração.
Um dia
A gente
Volta.

Liz Midlej

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