sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Falta ar. Faltar.


Faltar. Falta ar.
Faltar algo.
Feito chegar do trabalho, fim de tarde e encontrar a casa vazia.
O vazio do silêncio. Da casa.
Assim seguia, cheia de incertezas. Estava dilacerada.
Fibra a fibra. Coração destruído.

E se a luz do sol insistisse em entrar, não lhe era permitido.
A porta estava fechada. Trancada. Porque o amor padecia.
Tinha tentado atravessar a rua afobado e foi atropelado no meio da avenida.

E percebeu cansaço. 
Queria colo. Tinha fome. Queria violar regras. Comer uma pizza inteira num domingo, três da tarde. Ler Leminski em voz alta na madrugada e passar algumas horas só assistindo ao por do sol. Porque precisava lembrar que não seguir algumas regras, de vez em quando, é bom e faz bem a alma. Gente tem que ser de verdade, sem frescura, com todas as emoções humanas. Porque perdas e fracassos são inevitáveis, mas subverter a ordem das coisas quase sempre é o tempero que falta.

Queria Faltar? Não. Queria faltar ar.
E vida segue rumo, buscando rumo. Impertinente feito birra de gente.
Transitando entre razão e coração. Querendo ser e estar, mas sem conseguir ser nem estar. E ficando, ficando. Sentindo a alma sentada na porta de casa assistindo filme de realidade.

E como diz poeta:
Um dia, se houver pulso.
se houver...
pulso.

Liz Midlej

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