quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Da menina que ainda mora em mim


Ainda está tudo lá. Tal qual a foto. 
A inocência no rosto. A esperança e curiosidade no olhar. A vontade de brincar, de viver, de voar.

Sonhava em ser grande, adorava brincar de professora e aluno e sempre gostou de oratórias. Na verdade, preferia ler a brincar de bicicleta. Primeira de uma família de quatro irmãos, sempre se sentiu a responsável por tudo e todos. Mas nunca foi na verdade, referência para nada. Era sempre a mais calada, a mais danada, a mais rebelde, a mais contestadora, a mais desaforada, a mais chata, a mais teimosa, a mais tudo. A primeira.

Boa parte dela enchia-se de alegria com as conquistas e outra decepcionava-se com o mundo e com o que via das pessoas. O lado da vida que a infância não diz que vai ser. Mesmo assim caminhou.

Hoje, olho a criança que fui e aposto que, nem de leve, ela iria imaginar a mulher que me tornei. Não casei na Igreja, apaixonei-me pela profissão que escolhi, não sou P.H.D em nada, mas sou feliz com as conquistas realizadas e sinto uma paz danada quando olho pra mim e vejo que muitas dores não estão mais lá.

A curiosidade continua. A inocência, bem menos. Mas a esperança está ainda maior. Esperança de ver um mundo melhor, com menos sofrimento, mais alegria e verdade. Que possamos refletir nesse dia comemorativo e fazer nossa infância interior durar e nos lembrar que viver pode sim, ser leve e simples. Como o olhar de uma criança.

Liz Midlej

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