domingo, 7 de agosto de 2016

Sonho ao ar. Sonhar.

Nascer do sol no Farol da Barra - Salvador

Tem dias que a vida tem gosto estranho, feito boca seca em dia de ressaca. Tem dias que a gente quer deixar sentimento ir. Quer ir, quer deixar ir. Não vai. Fica e faz da paz o seu lugar. 

Abro a janela da manhã e deixo ir todos os sonhos ao vento. Eram tantos. Agora ganham asas na brisa e se vão ao ar para encontrar gente mais corajosa. Quem sabe?

Entender o desejar, querer navega-los, mas deixar que a realidade os afogue feito um copo d’água ou de lágrimas, vai entender...
Não, não aceitar o deixar. Desaceitar. Refazer rota. Nem amanhã, nem ontem. Agora somente.

Abro a janela do possível e deixo que cheguem novos sonhos. Talvez tenham vindo de alguém sem coragem... Quem sabe não serão esses os meus? Aqueles que eu poderei deixar virar hoje?

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, já dizia Fernando Pessoa. Tenho mesmo. Todos eles adormecidos, só esperando pitadinha de força e coragem para sair por aí pulando que nem criança que ganha brinquedo novo. Querendo todos eles, deixarem de ser apenas sonhos...

Sou eu. Só eu.
E dos desejos, fica na alma certeza de já ter realizado um monte e deixado um punhado ir em brisa de ar, criar asas e procurar gente corajosa.
Fica em mim desejos, sonhos, vontades, quereres.

E a gente guarda na gaveta dias amargos. Toma água com açúcar pra enxugar lágrima salgada. Pensa na esperança. Pensa na fé. Não se embriaga de tristeza nem se demora na amargura.

E o sol nasce de novo. Outro dia vem vindo...

Liz Midlej 

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