segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Mudança de faixa


Dia 22 de agosto. Uma década de vida. 
A gente tenta não enxergar, tenta.
Tenta não ver que o tempo passou e que chegou hora de mudança de faixa, feito mudar de etapa no judô. E no papel de espectadora, me pergunto: Por que crescem?
O sentimento agora é que uma página do livro está sendo virada. A fase de neném passou e agora a linha da fase de criança está prestes a ser ultrapassada.
Aí você abre o olho e ela não quer mais ajuda para se vestir. Cheia de conversas secretas com os amigos. O grupinho da escola é seu maior refúgio e diversão. Quer entrar no cinema com a amiga sozinha pra não pagar mico. A mãe, agora, coadjuvante no processo.
Mas por que tanta pressa, criança? Por que não senta e toma mais uma xícara? Por que não pisa o pé no freio do relógio? Por que não permanece a inocência, a pureza da alma, o brilhinho no olhar?
Por que essa história de mudar o vocabulário, de ter vergonha de algumas coisas, de começar a ter filtros internos, de começar a querer caminhar sozinha? Por que? Por que?
Não nos foi ensinado que filho cresce e voa feito passarinho. Mas mesmo querendo que tudo pare no tempo, eu torço para ver minha neném crescer, cheia de si. Cheia de auto-confiança. Criando casca para levantar forte quando a vida insistir em derrubar.
E eu, sempre perto. Se tropeçar, tô por aqui. Se quiser afastar-se, estarei aqui para quando quiser voltar. Se quiser colo, estarei por aqui para te dar. Se quiser seu "leite com Nescau" batido só para não perder o costume, estarei aqui para fazer e dividir esse momento.
Estamos juntas nesse caminhar e sempre. Porque mãe é mãe. Jamais abandona seu plantão. Então vá, minha neném! Cresça e apareça. E não esqueça de ser feliz!
Liz Midlej

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