segunda-feira, 6 de junho de 2016

Tem tempo. Tempo tem.

1980, Bahia

Tem dia que lembrar o que passou é difícil. Feito esses que a gente olha o relógio e pensa que foi ontem. O tempo. A linha do tempo. 

Olhar para o passado relembra como foi bom ter vivido. Ter tido infância. Menina de interior. Passava o dia a inventar brincadeiras, no meio da rua, no meio da turma. O fogãozinho e geladeirinha da casinha eram comprados na feira de sábado, fabricado com lata de alumínio (hoje é peça de museu. Um luxo!). As roupinhas da boneca, de retalhos e sobras de pano.

As brincadeiras eram amarelinha, roda, baleado, sete marias, esconde-esconde, picula, elástico, passa-anel, bicicleta, pula-corda e tantas outras que a imaginação dava conta de criar. 

Mas passou. Feito ventania que entra em casa, derruba tudo e vai-se embora sem olhar para trás. Onde estão todos? Cadê os tantos personagens da nossa história? Cadê as juras de amizade eterna, os cenários que parecem que se eternizam na lembrança? 

Estão todos morando lá na casa da memória. Lugar sagrado que fazem as pessoas, os lugares e os momentos viverem, deixando aquele perfume de lembrança boa no ar. Feito arca de tesouros preciosos e caros. 

Eu deixo cada etapa morar em uma gavetinha da mente. Se possível tem até etiqueta imaginária identificando cada época, cada pessoa, cada fase. Se dá nostalgia, abro a gavetinha, relembro tudo. Feito filme que dá gosto de rever. E que bom que foram tantos os cenários e tantas as pessoas! Quanto maior a rede, maior a extensão do viver. Mais pedacinhos da gente espalhados por aí!

A vontade que dá é juntar essa rede toda e fazer um enrolado - tipo novelo de lã de vó. E dar muita risada das histórias que vão sair de lá! Tempo passado. Tempo vivido. Tempo aproveitado.

Liz Midlej

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