sábado, 5 de março de 2016

Daquela família


A mesa enorme, toda arrumada.
Os lugares postos, os pratos alinhados, guardanapos coloridos.
Lembro-me que era em torno dela que nos relacionávamos.
[...] Crianças corriam pela casa. Juntava gente de todo lugar.
Tanta história bacana. E uma alegria iminente.

De repente a gente cresce, e a coisa começa a desacontecer.
Daqueles laços estreitos, tão íntimos, tão certos,
nasce um desdém educado, uma aspereza gratuita, um hiato.
Como se estivéssemos balançando numa corda frouxa.

E tudo que era para sempre, desapareceu.
Sem que eu nem bem tivesse tido tempo para tirar a mesa.
Sumiu toda a gente, os pratos alinhados e todos aqueles afetos.

É que de vez em quando, nos domingos de chuva, a mesa posta ainda faz doer em mim todas essas ausências. 

Solange Maia

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