segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Saudade


Tem dias que acordamos vazios. Na vida que segue com tantos compromissos e trabalho, a falta de algum lugar ou de alguém nos acompanha. É como o céu nublado onde não há sol. Nessas horas, resta-nos o silêncio frio e o desalento cinza, como se nada mais nos preenchesse além da melancolia que existe — e resiste — dentro da gente.

É que tem dias que surge um buraco enorme aqui dentro. É a dor pelo que já foi e não é mais, e a ausência que se repete em sonhos enquanto dormimos. 

Porque, outro dia, a morte chegou inesperada. Algumas pessoas partiram para longe. O relacionamento acabou. Os filhos foram estudar fora. Mas toda essa gente também ficou. Suas lembranças ficaram impressas em nossa alma, como um poema decorado. A saudade imortalizou-se no abraço de adeus, no bilhete carinhoso e na espera do reencontro.

E saudade também é inspiração. E chega nas horas mais inesperadas. Num momento de distração, a velha sensação de vazio se transforma em música, dança ou poesia. Você está caminhando no seu dia cinzento e, de repente, uma ideia invade a sua mente: é o esboço de um novo verso, é a cor da esperança que você procurava...

Saudade não é falta. Saudade é presença imortalizada dentro da gente.

Rebeca Bedone

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