domingo, 5 de julho de 2015

Sobre ela que sou eu.


Ela sempre fez planos. Ela sempre estipulou uma data para seus planos se concretizarem. Os problemas? Eles também tinham data para terminar. Dentro dela existia um calendário que contava os dias para o tempo-limite.

Mas o tempo corre sem contabilidade. Não há horas, dias, meses, anos. A vida acontece à revelia. Deus decide em outro compasso. Assim, veio a frustração. Não houve nada em sua vida que tenha correspondido aos seus planos. Nada.

No começo, ela acreditou ser uma mera adequação de datas. Aumentar um pouco o prazo, por que não? De nada adiantou. As coisas não aconteciam. As coisas aconteciam de um outro jeito. Ela esquecera das novas estradas, das paralelas, das bifurcações. Quem comanda o jogo não é você, minha querida. 

Ela aceitou o fato. Trocou os planos pelos sonhos. Rasgou o calendário. Aprendeu a abrir a porta para os acontecimentos quando eles resolverem chegar. Não briga mais com a vida. Resolveu dar-lhe a mão para caminharem juntas rumo ao desconhecido.

Cássia Pires - 

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