terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Tratado de fim de ano


As ruas estão cheias
as vitrines, decoradas
as calçadas, derrapantes
as noites, mal dormidas

Dezembro se repete
exatamente como antes:
todo ano, a mesma angústia
entre luzes coloridas

De onde, esse nó na garganta:
é dezembro que o agiganta
ou ele vem das despedidas?

De onde, esse aperto no peito:
ele viria de qualquer jeito
como selo de horas perdidas?

E as pessoas se cumprimentam
como se fossem todas queridas...
para que abraços forjados
quando as testas estão franzidas?

Dezembro se repete
exatamente em pormenores:
a ceia pelos lares
a tristeza aos arredores

Entre estrelas e guirlandas
e velas e altares
e piscas nas varandas

Muitos se afligem em sigilo:
como de si fazer festa
se o que se quer é asilo?

|Renata de Aragão|
Fonte: Doce de Lira

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