sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O dia


Dia. Outro dia. Mais outro e outro. Terça feira, quarta feira de qualquer mês, de nenhum ano. Dia entrando pela porta da frente. Dia saindo pela porta do fundo. Dia todo contente. Dia todo moribundo.
Dia brincando com o claro nas vielas. Dia brincando com a chama das velas. Dia escorrendo pelas mãos.
Dia arrancado do coração. Dia soluçando num vão da garganta. Dia sem almoço. Dia sem janta. Dia incompleto, só esboço.
Dia sem chão. Dia sem data. Dia sem hora. Dia que mata. Dia que chora. Dia que enche meu olhar de quinquilharias, de velharias, "de coisas idas".
Dia de de arrancar a casca da ferida, da dor crescida. Dia só meu. Dia que vai passar. Dia de receber as asas e finalmente voar.

Mari Antunes

Nenhum comentário:

Postar um comentário