sábado, 2 de agosto de 2014

A sanfona ainda não desafinou


No dia 02 de agosto de 1989, uma sanfona branca se calava no sertão pernambucano. A vida cumpria seu curso natural e levava o Mestre Lua e sua alegria para outra dimensão. Luiz Gonzaga do Nascimento, o menino pobre que saiu de Exu, no sertão de Pernambuco para tornar-se um gênio consagrado da música brasileira, não tinha noção da repercussão e benefícios que suas ideias trariam ao povo nordestino, que ele tanto amava. 

Além de música, letra, Gonzaga criou ritmos. Levou o xote, o xaxado e o baião ao Brasil inteiro, que se encantou com aquele mundo de sons, ritmos e alegria, vindo de uma sanfona. Um gênio que criava ritmos e inventava moda, desenhando as próprias roupas (vestia-se como um vaqueiro nordestino, fazendo a sua exaltação), mas que também inventava os passos que fazia no palco com os músicos. 

De temperamento forte, mas de coração grandioso, fez questão de ajudar muita gente e cantar o sertão nordestino, preservando e divulgando sua cultura. Ainda hoje, Pernambuco tem um grande respeito por sua trajetória. Por onde se passa, sua música se faz presente, trazendo alegria e preservando as raízes. 

Assim, de forma simples e marcante, ele se retira, deixando seu legado imortal, que há 25 anos ainda nos encanta! E como ele mesmo diz em "Hora do Adeus": 

"Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte, Centro, Sul inteiro
Onde reinou o baião
Se eu mereci minha coroa de rei
Esta sempre eu honrei
Foi a minha obrigação
[...] Minha sanfona, minha voz, o meu baião
Este meu chapéu de couro e também o meu gibão
Vou juntar tudo, dar de presente ao museu
É a hora do Adeus
De Luiz, rei do baião"

|Liz Midlej|
Fotos: Museu do cais do sertão - Recife/PE e Museu do Forró - Caruaru/PE
Indico ainda um belíssimo documentário feito por Dominguinhos, que ganhou o prêmio Funarte em 2012. Assista AQUI

Nenhum comentário:

Postar um comentário