segunda-feira, 7 de julho de 2014

Senhora de mim


Tem gente que esconde, tem medo de falar, disfarça.
Eu não. Tenho o maior orgulho.
Encho a boca e conto : faço 43 anos.

Um tanto de estrada percorrida, outro tanto a percorrer. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Lugar onde euforia e serenidade comungam tão bem. Um não rouba mais a cena do outro. Aceito e acolho. Já sei o que procuro e ouso dizer que o caminho me interessa bem mais do que a chegada.

Dou-me, mas só quando quero. E para quem quero.
Conheço coragens e medos, sonhos e desejos. Conheço gente boa e gente que nem gente é. O tempo já não guarda tantos segredos. Sem a rigidez de antes, demoro mais no gesto, na entrega, no outro. Absorvo a existência, o amor, a graça. Livre de quaisquer cobranças. Livre para viver melhor.

Já não me prendo ao tecido da lógica, não me importo se as coisas realmente fazem sentido. Respeito a autoridade da vida, mas flerto descaradamente com ela. E mesmo quando surpreendida por alguém, com um sonoro :
 – Senhora?
Não me incomodo.
Sou sim.
Sou, deliciosamente, senhora de mim !

Texto adaptado de S. Maia

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