quarta-feira, 23 de julho de 2014

Mais uma grande perda

"Ariano Suassuna é modelo de arte
e sua arte razão de vida
O teatro, a literatura, a poesia,
a música, os grafismos, o humor
demarcados pelo Mestre,
jamais serão esquecidos,
porque não há finitude
no reino da pedra." 

(Jessier Quirino)


Todos nós sabíamos que era uma questão de tempo. O corpo dava seus sinais. Como ele mesmo disse, embora a morte seja certa, ninguém a espera. Para nosso deleite, a mente não acompanha a idade do corpo e ele, mesmo recuperando-se de um período de pós-enfarto, encontrava-se ativo - ainda atuando na campanha do Eduardo Campos em Pernambuco e viajando com a sua aula-espetáculo.

O Auto da Compadecida, O Romance d’A Pedra do Reino, seu amor pela cultura do Nordeste, reverenciado em enredo de escola de Samba, poeta, autor do movimento armorial em prol da cultura nordestina, membro da Academia Paraibana, da Academia Pernambucana e da Academia Brasileira de Letras, criador do Circo da onça malhada, homem de bem, pai de seis filhos, uma figura simples, com um humor requintado, amante das letras e das artes. Fico imensamente feliz em poder tê-lo visto pela última vez no palco do TCA há uma semana apenas, ouvindo sua voz rouca, arrastada, mas que nos deixava lições de vida belíssimas. A demonstração de amor pela esposa Zélia, nos comoveu.

O Brasil perde mais um grande literário e um grande homem. Mais uma vez, ficamos órfãos. Perde-se o artista, mas sua obra continua viva e pulsante, atestando a genialidade insubstituível deste que foi um dos maiores intelectuais brasileiros. E eu não perco a esperança. Não perco a fé nessa moçada que vem aí. Nessa rapaziada que segue em frente e segura o rojão, em um dia dar continuidade a essa leva de excelência na literatura brasileira.

"É claro que, objetivamente, eu sei que vou morrer. Não sei se você já notou, mas nenhum de nós acredita que morre, o que é uma bênção. A gente se porta a vida toda como se nunca fosse morrer, o que é muito bom. Porque se a gente for pensar na morte como uma coisa fundamental, inevitável e próxima, a gente vai perder o gosto de viver, vai perder o gosto de tudo. Pensar que vai morrer prejudica um pouco a qualidade de vida, e eu sou um apaixonado pela vida, amo profundamente a vida. Olhe que essa maldita tem me maltratado, mas eu gosto dela" (Ariano Suassuna)

Liz Midlej

Leia mais sobre a vida desse escritor maravilhoso aqui

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