quarta-feira, 2 de julho de 2014

Lembranças de um futuro esquecido

Após um belo filme, um belo texto que consegue perfeitamente traduzi-lo. Recomendo que todos assistam.


"Ontem assisti ao filme “Tarja Branca, A Revolução que faltava”, que eu classificaria como um documentário sobre o ato de brincar ,  mas que extrapola em muito este tópico.

Dentre muitas coisas que me chamaram a atenção, o que mais me tocou foram as lembranças despertadas da minha infância. Sim, eu, você e todo mundo que perambula por aí tivemos uma. Como sempre acontece quando ouso transpor a linha da memória adolescente, lágrimas me vieram aos olhos — algo que raramente acontece.

Como é poderosa a lembrança de uma infância; como são profundos os sentimentos que desperta; como jamais saímos impunes desta visita ao passado… Pequenos e grandes traumas são relembrados, trazendo para o presente dores que havíamos enterrado sob o peso de algum pilar sobre o qual se sustenta o edifício da nossa personalidade. Alegrias são relembradas com a saudade de quem se ocupa com tantos afazeres a ponto de dizer a si mesmo que já não pode mais ser tão feliz. E os sonhos…

Sonhos de um futuro do qual já nem lembrávamos ser capazes de sonhar se reavivam na memória, insultando o presente que construímos para nós e nos cobrando os sorrisos que tão facilmente dávamos e, agora, tanto custa fazer brotar.

A experiência de relembrar a minha infância não fui inócua, tampouco dela saí impune. Custou-me a ilusão de mundo que fabriquei para mim durante tanto tempo: já se vão tarde os velhos alicerces do meu podre edifício. Abrem espaço para gente nova; para vida diferente; para sonhos engavetados; para futuros empoeirados.

Reaprendo, hoje, a importância que tem a leveza da criança que ainda sou para que eu, adulto, consiga voltar a caminhar sem ter os ombros arqueados pela dor. Já vai tarde tudo isto. Seja novamente bem-vindo eu; sê bem-vinda você, que tanto me ensina." 

Marcelo Rios
Fonte: Medium
Quer saber mais sobre o filme? Aqui

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