quarta-feira, 21 de maio de 2014

Adélia Prado e a tristeza


“É preciso viver a tristeza, ela faz parte da vida, assim como a alegria”, foi o que ela falou a respeito de si própria, de uma depressão que teve, depressão essa que durou dois anos, durante a qual “Deus lhe tirou a poesia”. Ah, que  belas e duras as palavras de Adélia, que faz poesia até quando não faz, até quando fala.

Hoje em dia, todo mundo tem muito medo da tristeza. Hoje em dia, medica-se a tristeza como se doença ela fosse  ─ a tristeza, quando vem, assim como a dor de cabeça ou a dor de ouvido, é um aviso de que alguma coisa, grande ou pequena, não está bem. 

Por que é que a gente não escuta mais a nossa tristeza, por que é que temos de calá-la, esta visita inesperada, resmungona, teimosa, antes que ela nos diga, afinal de contas, a que veio? 

Às vezes, um bom e honesto papo com a tristeza pode nos levar adiante  ─ e o que é a vida, senão um eterno dobrar de esquinas, uma caminhada surpreendente na qual mudam as paisagens, os sonhos e as companhias? 

Encontrar a tristeza numa ruazinha da existência e dar uma ou duas voltas na quadra de mãos dadas com ela pode ser difícil, mas também renovador.

Leticia Wierzchowski
Trechos de Adélia Prado e a tristeza

Nenhum comentário:

Postar um comentário