quinta-feira, 17 de abril de 2014

Tradição

Bonde na Praça Castro Alves, Salvador, 1958

... Conheci essa garota que era do Barbalho
No lotação de Liberdade
Que passava pelo ponto dos Quinze Mistérios
Indo do bairro pra cidade
Pra cidade, quer dizer, pro Largo do Terreiro
Pra onde todo mundo ia
Todo dia, todo dia, todo santo dia
Eu, minha irmã e minha tia

No tempo quem governava era Antonio Balbino
No tempo que eu era menino
Menino que eu era e veja que eu já reparava
Numa garota do Barbalho
Reparava tanto que acabei já reparando
No rapaz que ela namorava
Reparei que o rapaz era muito inteligente
Um rapaz muito diferente
Inteligente no jeito de pongar no bonde
E diferente pelo tipo
De camisa aberta e certa calça americana
Arranjada de contrabando
E sair do banco e, desbancando, despongar do bonde
Sempre rindo e sempre cantando...

|Gilberto Gil|
Música composta em 1974, para dar um sentido aristocratizante a um tempo e espaço (Bahia, anos 50) da história social do autor. Também, para dar a ideia de uma mentalidade de época; de um modo tradicional de vida de um grupamento social da cidade de Salvador que se transformava.

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