quarta-feira, 30 de abril de 2014

Caymmi, cem anos.


Sem Caymmi, o mar da Bahia seria cem vezes menos azul; Itapuã seria cem vezes menos bela; centenas de versos e canções deixariam de deslizar em ondas sonoras; haveria muito menos poesia em nosso cancioneiro popular.

Sem Caymmi, a música popular brasileira não alcançaria a originalidade e a singularidade que a tornaram peculiar, única e inigualável. Sem Caymmi, Rosa Morena, Dora, Doralice, Maurino, Dadá e Zeca não existiriam, ainda que estes personagens tenham sido apenas - e de modo tão poético - frutos da criatividade do mestre das canções praieiras...

Sem Caymmi, nosso samba seria menos malemolente, nosso samba-canção menos dolente e, apesar do sal que inunda a musicalidade desse gênio, seríamos muito menos docemente praianos, baianos...

Centenas de motivos poderiam justificar a vontade - e mais do que ela - a quase obrigação de não deixar passar em branco o centenário de um dos mais ilustres representantes da baianidade e da brasilidade no mundo das artes, particularmente no que diz respeito à MPB. Caymmi, sem dúvida, representa o que há de mais brasileiro em nossa música e em nossa poesia.

|Ray Gouveia|

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