domingo, 27 de abril de 2014

A cultura do improviso


Ontem ao passar pela tal Arena que, embora seja de esporte, tem nome de cervejaria, vi no ‘relógio’ que faz a contagem regressiva para o início da Copa do Mundo que faltavam 60 dias. E no percurso para casa fiquei pensando no significado disso para o país, já que em termos de benefícios pouco ou nada se pode ver.

Sabemos da realização do evento há mais de 7 anos e as promessas de benfeitorias que o país ganharia foram muitas. Mas se após os bilhões gastos, nem mesmo os estádios ficaram como foram planejados, o que dizer das obras de infraestrutura de aeroportos, transportes, acessibilidade, etc?

Os remendos, as paralisações de obras que se iniciaram em tantos aeroportos (só para citar um exemplo) ou os discursos vazios de quem deveria responder judicialmente por obras mal feitas a toque de caixa pelo país são de causar vergonha a todos nós. Muitos, inclusive, que preferiam que a Copa acontecesse quando o Brasil tivesse vencido a precariedade da educação e saúde e, por conseguinte, a miséria de grande parcela de seu povo.

E a Copa acontecendo em um ano de eleições para cargos tão importantes não poderia ser mais maléfica. Se bem que posso estar enganado, pois ao invés do uso do evento para ludibriar a população e angariar votos, esse mês de festas e jogos pode causar grande dor de cabeça para quem pensa o contrário. Greves e manifestações já são anunciadas 60 dias antes mesmo da primeira partida.

O meu desejo é que o aprendizado para o país nesse ano tão surreal com tantos escândalos de roubos (alguns chamam de caixa 2 ou desvio de verbas), maus improvisos de ‘nossos’ gestores em tantas diferentes áreas e a perda de chance tão grande para crescermos como nação, se reflita nas urnas. Que consigamos dizer com o voto que não aguentamos mais os desmandos, os desvios de caráter e conduta de quem foi eleito para ser exemplo.

Que a Educação seja o foco fundamental de quem deverá ocupar os cargos mais importantes do país ou perderemos o jogo mais uma vez para esperteza de quem manipula a ignorância da população.

Lelo Filho
Dramaturgo, diretor, produtor e administrador da Cia. Baiana de Patifaria.
Texto completo aqui

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