quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Caetano. De novo.



Caro Caetano,

Nos EUA, quando eu era menino, havia uma campanha para prevenir acidentes na estrada. O slogan rezava: “Amigos não deixam amigos bêbados dirigir”. Lembrei disso ao ler suas declarações e as de Paula Lavigne sobre biografias no Brasil. Fiquei tão chocado que me sinto obrigado a lhe dizer: amigo, pelo amor de Deus, não dirija.

Nós nos conhecemos há muitos anos, desde que ajudei a editar seu “Verdade Tropical” nos EUA. Depois, você foi maravilhoso quando lancei no Brasil a minha biografia de Clarice Lispector, escrevendo artigos e ajudando com o alcance que só você possui. Admiro você, de todo o meu coração.

E é como amigo e também biógrafo que te escrevo hoje. Sei que você sabe da importância de biografias para a divulgação de obras e a preservação da memória; e sei que você sabe quão onerosos são os obstáculos à difusão da cultura brasileira dentro do próprio Brasil, sem falar do exterior. 

Fico constrangido em dizer que achei as declarações suas e da Paula, exigindo censura prévia de biografias, escandalosas, indignas de uma pessoa que tanto tem dado para a cultura do Brasil. Para o bem dessa mesma cultura, preciso dizer por quê.

Para continuar lendo o texto Aqui

Benjamin Moser, texto publicado na Folha de São Paulo em 9 out 2013.

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É triste aceitar, mas eles mudaram. Talvez para pior, diante dos nossos conceitos. Talvez para melhor aos olhos de artistas que, como eles, buscam o antagonismo moderno – lutando contra tudo o que a sociedade considera sensato – a transparência em toda e qualquer relação. Só nos resta deletar essa atual fase e fixar na memória aqueles cabeludos, que brigavam com o mundo pelo direito de (veja que ironia!) “afastar de mim esse cale-se”!

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