sexta-feira, 25 de outubro de 2013

38 anos sem Vlado

"[...] Chora a nossa pátria mãe gentil
choram Marias e Clarices no solo do Brasil.
mas sei, que uma dor assim pungente 
não há de ser inutilmente
a esperança dança na corda bamba de sombrinha
e em cada passo dessa linha
pode se machucar..."  


"Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados." (Vladimir Herzog)


Hoje faz 38 anos que o jornalista Vladirmir Herzog, na época diretor de jornalismo da TV cultura foi torturado e assassinado nas dependências do DOI-CODI em São Paulo, após apresentar-se voluntariamente para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Foi criada a versão de suicídio, mas em 1996 uma comissão reconheceu que ele foi assassinado e decidiu conceder indenização para a família.

Jornalista, casado com Clarice Herzog, Vladimir era um intelectual, um homem de cultura, que via no comunismo uma alternativa para o país. Achava que essa militância era uma nova maneira de combater a violência da ditadura, ou seja, defendia a oposição sem luta armada, sem clandestinidade, com discussões e ideias. A igreja e a política seriam os melhores instrumentos de luta, mas como era judeu sobrou apenas o partido para fazer isso, embora não fosse um ativista.

O assassinato de Herzog mudou o país. Foi o catalisador da abertura política e da restauração da democracia. Esse fato será sempre a recordação dolorosa de um sombrio período de repressão, um eco eterno da voz da liberdade, que não se cala jamais.

|Liz midlej|

Um comentário:

  1. Bom texto, Liz. Vlado cometeu o grave erro de ser um pensador, difusor de cultura e formador de opinião. Embora com atuação discreta, era um articulista das idéias libertadoras do pensamento. Jornalista, quando foi se apresentar espontaneamente militares no DOI-CODI exercia a função de diretor da TV Cultura de São Paulo. Sem o saber, os militares edificaram o mito e iniciou a escavação para a derrocada do regime.

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