domingo, 21 de julho de 2013

Os caminhos da humanidade


Quais os caminhos da humanidade? Ela não os tem. Busca abri-los a murro e a dente pelos campos, praças, ruas e avenidas dos quatro cantos deste planeta. Mudam os idiomas conforme o local da cruzada, mas a voz é a mesma, como una é a mensagem que propaga.

Alguns, por cegueira ou por terem a visão aguda demais, desviam os olhos do quadro em toda a sua dimensão, definindo como paroquial problema de amplitude mundial.
Segundo estes, tudo é muito simples: em um só momento da história os espanhóis protestam contra o desemprego, os ingleses e norte-americanos contra a recessão, os brasileiros contra os preços das passagens de ônibus, os egípcios contra a ditadura, os gregos contra a corrupção, os franceses contra a discriminação, os turcos contra a construção de um centro comercial, os indonésios contra os preços dos combustíveis, os búlgaros contra a administração, os italianos contra a impunidade, os moçambicanos contra o preço do pão, os portugueses contra a austeridade, os marroquinos contra a monarquia, os tunisianos contra a inflação, os sudaneses contra a miséria - e por tal caminho seguiríamos, passando temerariamente ao largo da constatação de que tudo isto se relaciona a partir de um sentimento comum, uma “primavera mundial”.

Esta visão míope, levada aos círculos de poder político e econômico, assume ares de tragédia anunciada - como ensinava John Kennedy, “aqueles que tornam impossível uma revolução pacífica tornarão inevitável uma revolução violenta”.
Aprendi com meu saudoso genitor, político experiente, que o povo, por falta de informações e até de instrução, pode não definir certas situações - mas percebe, e perfeitamente, o que acontece. Não fala, mas pensa. Não define, mas entende.
É através deste alerta que cumpre compreendermos a verdadeira e séria mensagem que a voz das ruas grita pelo planeta afora: a de que vivemos sob uma ordem social injusta e insustentável.

Em outros tempos, tudo isto seria varrido para baixo de algum tapete ou pendurado na ponta de alguma baioneta. Não mais. O mundo começa a compreender estar sendo vítima de um sistema ganancioso e descontrolado, cujos tentáculos contaminam a economia real e as estruturas de poder político em benefício de alguns poucos.

É contra isto que a voz das ruas brada - ela pede, em última análise, menos ganância e mais compaixão, menos monopólios e mais oportunidades. É isto que a juventude nos pede: apenas igualdade de condições na já dura luta pela vida.

(...) A resposta a estas colocações - e eis aí o grande anseio das ruas - haverá que ser, acima de tudo, espiritual. Falo de mudança de postura. De atitude. De comprometimento com algo mais elevado.
Será que nós, detentores de poder político e econômico, temos enxergado que as coisas da vida passam, e passam muito depressa?
Será que temos a consciência de que brevemente, em um plano superior, não nos será permitido balbuciar que, em dado momento de nossas existências, dada virtude não era recomendável?
Será que temos tido a necessária sensibilidade diante das cenas tão pavorosas como cotidianas de desrespeito aos direitos humanos mais básicos?
Será que temos feito, com ideal e sinceridade, nossa pequena parte para que este mundo tão grande seja menos injusto e cruel?

Pedro Valls Feu Rosa
Fonte: José Maria Feu Rosa Filho, Facebook
Leia o texto original AQUI

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