terça-feira, 9 de abril de 2013

Feliciano te representa




Tenho acompanhado as várias manifestações nas redes sociais, os memes e fotos de pessoas segurando cartazes com a frase “Feliciano não me representa”, em protesto contra o fato do deputado ter assumido a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. A revolta de termos um deputado racista e homofóbico como presidente de uma comissão que deveria tratar dos direitos humanos e das minorias é bastante compreensível, compartilho desse sentimento e também acho que a situação está nos limites do absurdo.

(...) Faz sentido que nenhum de nós se sinta representado por Feliciano. O nosso sistema político pouco nos representa e abre pouco espaço para que o cidadão possa interferir e participar, além de um voto (obrigatório) a cada quatro anos. Além disso, o sistema eleitoral proporcional quase sempre garante que você vai acabar elegendo gato por lebre. Se quisermos transformar a política e os políticos, e nos sentirmos representados, precisamos entender o processo, suas restrições e suas possibilidades. Feliciano eventualmente sairá da Presidência da comissão, uma grande vitória da sociedade e da pressão das redes! Mas ele poderá ser trocado por outro deputado do PSC, permanecer como membro da Comissão e até ser relator de uma série de projetos de lei. 

Provavelmente, todos nós passaremos para a próxima revolução nas redes, e deixaremos nossos parlamentares continuarem a decidir e comandar a política em acordos e negociações internas – ou seja, deixaremos que eles simplesmente nos representem. Para que Feliciano não nos represente, precisamos mais do que simplesmente tirá-lo de lá: precisamos entender e rever nossos processos políticos.

Pedro Markun
Fonte: Revista Brasileiros
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