sábado, 9 de março de 2013

Homenagem à mulher

Por Wilson Midlej

Sempre achei uma bobagem determinar dias específicos para homenagear mães, pais, crianças etc. No dia de hoje a ONU estabeleceu como o dia internacional da mulher, em função do assassinato de mulheres operárias que reivindicavam melhores condições de trabalho numa fábrica têxtil americana. Gesto revestido de um simbolismo forte, mas que exprime aquela realidade factual. Na verdade, a mulher deveria ser homenageada todos os dias!

Não me atenho apenas à possibilidade da mulher enquanto agente gerador da vida, do fenômeno da formação do ser integral: refiro-me particularmente às homenagens cotidianas à mulher, esse ser especial, onde o espírito se sublima na caminhada evolutiva. Essa entidade capaz de, com suas secreções naturais, mitigar a fome da cria faminta e, em outro momento, amparar com olhares repousantes e atitudes fortalecedoras, as inseguranças do guerreiro. Capaz ainda de transformar-se, ela própria, num perigo iminente, principalmente se for nova, bonita e carinhosa…

A mulher é, efetivamente, uma organização complexa. Possui jeitos e trejeitos, tem uma ginga no andar que desconcerta até os deuses; é portadora de percepções extra-sensoriais capazes de detectar emboscadas e falsidades. Ela é, invariavelmente, uma engrenagem harmônica, precisa, sempre à espera da união perfeita. Eis que, é necessário esperar o tempo certo para o acoplamento. Sem açodamento, sem pressa, do contrário não encaixa nunca mais….

Ana, Clarice, Marina, Luíza… seja intelectual, operária, bancária, camponesa, dona de casa… todas precisam da poesia para o encantamento. Requerem sejam observados pequenos detalhes para se sentirem felizes, daí é preciso respeitar infinitamente os seus momentos. Suas fantasias.
Já para atingir a plenitude, a mulher-fêmea carece da sutileza do toque, do mistério do mostrar-se, sobretudo do descortinar-se gradual dos seus véus, um a um, com as necessárias pausas para intensificar o brilho dos seus olhos, os enigmas dos seus olhares, dos seus gestos nada despojados, tudo previsto e, às vezes, até ensaiado!

mulher de 20
O poeta Affonso Romano de Santana estabelece diferenças cronológicas para elas. Fala da mulher de 20 como a que é escolhida. “[...] a que não conhece ainda os limites do seu corpo e vai florescendo estabanada”. Compara-a ao “[...] nadador principiante que faz muito barulho, joga muita água para os lados [...]”.
Se for uma mulher de 40, continua o poeta, “[...] nada no tempo certo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo de repouso da garça sobre o lago [...]”.

mulher de 40
E assim, é ela quem escolhe, não mais permite ser escolhida!
Se o seu homem não gostar do jeito que ela é, que vá procurar outra. Ela só quer quem a mereça. Ela quer brigar o menos possível.
Já a mulher madura é serena… Ela convoca! Menos ansiosa, determina seus ritmos. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Perfuma-se na dose certa, com a fragrância exata, veste-se para matar! Quando ousa, costuma acertar em cheio. No jogo com os homens, quando dá o bote é pra liquidar a fatura! Domina sem que ele se sinta dominado. Não exibe poder, mas seu porte é de rainha!

mulher madura
Mulher que é mulher, diz Adriano Silva, “[...] se pudesse, não vestiria duas vezes a mesma roupa nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor”, e olhe que essas reações não dependem de idade. A alma feminina nasce junto com suas complicadas conjunções de hormônios, ciclos, ovulações, que chegam à periferia com odores e colorações diversos, com efeitos especiais imprevisíveis.

Onde as diferenças?! Cada mulher é um compêndio. Cada mulher é única.
Volto ao poeta para a sábia comparação: “[...] a mulher de 20 tem espinhas”, mas, acrescento, sua pele acaricia, seus cheiros inebriam. “[...] a mulher de 40 tem pintas, encantadora trilha de pintas que só os sortudos sabem onde terminam…”

Mulheres, todas elas, santas e demônios, as quais em determinado momentos queremos santas, em outros e mais constantes, que venham com o “diabo no corpo!”
É o elemento feminino dando completude ao universo. É a abundante manifestação dos hormônios, é o jeito feminino de ser. Em quaisquer das fases, é verdadeiramente fascinante!

É essa mulher universal, de todas as raças, de todos os manequins, de todas as gingas, de todos os credos, de todas as culturas, de todos os dengos, que devemos homenagear todos os dias, em todos os momentos, festejando a natureza, destacando-a definitivamente como símbolo da vida!

Hoje, como sempre, rendo homenagens às mulheres, e para não fugir do lugar-comum, fazendo concessões às datas pré-estabelecidas, dou destaque às minhas filhas, à minha mãe e à Jussara, a mais encantadoramente multifacetada das mulheres.

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