segunda-feira, 4 de março de 2013

A igreja e sua crise existencial




Atualmente, a Igreja Católica está no banco dos réus – e dia após dia surgem nos jornais de todo o mundo casos de escândalos pela reconhecida pedofilia de muitos sacerdotes e até de bispos que submeteram a abusos inqualificáveis crianças que estavam sob sua guarda. A Igreja – e o próprio papa – pediu perdão às vítimas, admitindo a veracidade dos abusos. Mas, pedir perdão pode ser suficiente? Ou pode se tratar de uma conjura de silêncio para deixar na impunidade os sacerdotes que cometeram tais crimes?

Dom Serafim Fernandes de Araújo, cardeal-arcebispo emérito de Belo Horizonte, sempre foi muito cuidadoso com as palavras. Afinal, é mineiro. No entanto, é mais do que isso: foi capelão militar, professor, reitor de universidade, integrante do Conselho Federal de Educação, ouviu milhares de confissões, se tornou até conselheiro de time de futebol, o Clube Atlético Mineiro. Por comportamento, é um político, um diplomata.

Daí por que a “veemência” de suas palavras sobre a crise na Igreja Católica provoca impacto. “Ela (a crise) é mais séria do que imaginamos”, comenta ele. “Mas a Igreja está sofrendo porque está dentro de um mundo também podre.” Como também? Ele apenas levanta a mão, como que dizendo: você entendeu. O repórter provoca: a renúncia não poderia ser apenas por questões de saúde? “Não faz sentido, não tem lógica …”

“Tem muita gente querendo virar Deus… .” Como assim? “Esse lado frágil da Igreja está ganhando do lado que prega o amor.”

Renato Ferraz

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