quarta-feira, 18 de abril de 2012

Expôr ou Filtrar?


Há sempre um sorriso em pixels e uma janela que pisca, insinuante e curvilínea, para nos dizer do que se ocupam os outros. Aberto a interação, está aquilo que vêem, escutam e pensam nossos contatos etiquetados como amigos. João fala bengali e lê Nietzsche. Maria dedica-se aos resquícios de sua desilusão amorosa. De que forma a internet reconfigura nossas formas de conviver?

Se você logo aponta para a superficialidade das relações, estudos recentes vão na direção contrária. Nunca se estreitou tanto os laços como agora. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Toronto, por exemplo, constatou que a internet possibilita estabelecer laços íntimos de forma mais rápida e eficaz. E se seu incômodo vem do excesso de exposição, o centro de estudos de internet da Universidade de Harvard indica que vivemos em um momento de ressignificação do conceito de privacidade, no qual novos valores sobre o que deve ou não ser público estão sendo fundados.

"A questão tem menos a ver com privacidade ou tipo de relação que mantemos, e mais com o excesso de informação a que estamos expostos", diz a pesquisadora do Departamento de Comunicação da Universidade de São Paulo Lígia Telles. "Todos dizem o que pensam o tempo todo sobre qualquer assunto. Somos expostos a notícias sérias e fúteis no mesmo ambiente, em uma espiral de informação que tende a nos puxar para baixo".

Não se trata de ser bom ou ruim, mas de que forma reunimos e manipulamos a informação do mundo externo e relacionamos com nossas preocupações individuais. O filtro é a melhor estratégia que podemos adotar.


Eron Rezende


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Fonte: A Tarde on line, 17.04.2012

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