quinta-feira, 29 de março de 2012

O tailleur branco de Angelina

Só pra dizer que somos responsáveis por aquilo que consumimos...



Na entrega do Oscar de 2001, Angelina Jolie vestia um tailleur branco, provavelmente Dolce&Gabbana. Na vitrine da loja em Milão, hoje, um casaco da mesma marca custa 3.945 euros. Mas o traje de Angelina foi confeccionado sob medida para ela, em uma pequena fábrica ilegal do sul da Itália. Pasquale, o costureiro que o fez, ganhava entre 600 e 800 euros por mês, salário de um operário que trabalha na informalidade para grande parte das grandes grifes – e não só as italianas.

A história de Pasquale foi contada pelo jornalista italiano Roberto Saviano, em Gomorra, livro que revela nomes e estratégias da máfia da região da Campania. Saviano descreve a relação entre o Sistema (como é chamado o próprio esquema mafioso) e grandes marcas italianas. Mostra como funciona a contratação de empresas informais para confeccionar peças que depois são vendidas a preços exorbitantes.

Organizam-se leilões em que fabricantes sem regulamentação legal oferecem seu preço para fazer um número “x” de peças para grandes grifes. Quem se dispõe a fazer o trabalho por menor preço e tempo vence a disputa. As perdedoras podem, depois, se quiserem, se juntar à empresa vencedora. Assim, todos os que aceitaram as condições ganham o tecido, mas apenas a empresa que entregar antes a encomenda receberá o pagamento, e isso se as roupas passarem pelo padrão de qualidade da marca.


E o que fazem as empresas que recebem os tecidos, o modelo, e que muitas vezes já tinham as peças quase prontas? As vendem no mercado informal. A blusa da marca famosa que custou um terço da original muitas vezes não é falsificada: foi feita nas mesmas fábricas, com o mesmo modelo e material das “originais”, apenas não recebeu o “ok” da marca, porque, quem sabe, chegou um dia depois.
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Fonte: Paula Pataro, Facebook

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