quinta-feira, 29 de março de 2012

O Maluco beleza que nunca foi

Pela vontade de assistir a esse documentário...



As canções de Raul Seixas fazem parte das minhas primeiras memórias musicais. Quando era criança, no interior da Bahia, Raul fazia um sucesso tremendo. Antes de começarem as matinês dominicais do cine Éden, em Ipiaú, na região cacaueira, onde moram meus avós, sempre tocavam “Al Capone”. E, nos cafundós onde morávamos graças ao emprego de gerente de banco do meu pai, o rádio tocava “Ouro de Tolo” direto. Eu, pequenina, achava incrível aquele negócio de “boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar” e não sei o quê do disco voador.

Por tudo isso, imaginem o tamanho da minha emoção ao ir ver “Raul: O Início, o Fim e o Meio”, documentário de Walter Carvalho sobre o roqueiro baiano que está em cartaz em todo o país. E o filme não é ouro de tolo. Sua principal qualidade, em minha opinião, é ser jornalisticamente impecável. As entrevistas não são feitas para levantar a bola dos entrevistados ou do ídolo, como às vezes acontece. Todos são colocados na parede: ex-mulheres e parceiros, sobretudo Paulo Coelho, com quem Raul Seixas compôs grandes sucessos como “Gita” e “Sociedade Alternativa”, e Marcelo Nova, o derradeiro partner. Na verdade, só Cláudio Roberto, co-autor em “Maluco Beleza” e “O Dia Em Que a Terra Parou”, entre outros sucessos, escapa do olhar duro do documentarista.

“Raul: O Início, o Fim e o Meio” é emocionante de chorar e divertido de gargalhar, extremos que certamente agradariam Raul Seixas, o canceriano sem lar. Só não responde uma pergunta: por que Raul queria se anestesiar tanto da vida ao ponto de, em uma das fases finais, chegar a cheirar éter? Por que nunca “podia estar contente”? Na entrevista de lançamento, o diretor Walter Carvalho expôs a teoria de que o cantor sofreu até o fim por amor à primeira mulher, Edith, paixão que nunca teria superado. Mas o filme, ao contrário, mostra que Raul viveu uma longa e sofrida egotrip e nunca pareceu amar ninguém tanto assim.

Autora: Cynara Menezes

Para ler o texto na íntegra aqui
Fonte: Revista carta Capital

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