quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A arte de ser Leve



(...) Quando penso nessa leveza que acrescenta qualidade ao cotidiano, penso antes de mais nada, em bom humor e gentileza. Pessoas indelicadas, incapazes de dizer “obrigado” ou “por favor”, aquele colega da empresa que nunca dá um “Bom dia”, o chefe que maltrata os funcionários, o motorista que sai dando fechadas no trânsito, a vendedora que não cumprimenta os clientes: quem é que gosta de dividir seu cotidiano com pessoas assim?

Antigamente, valorizava-se muito a simpatia. Hoje, no mundo das aparências e do consumismo, valem o corpo malhado, o carro do ano, o rosto sem rugas, a roupa de grife. Aos poucos, vamos nos esquecendo de sermos agradáveis – é como se a simpatia fosse uma virtude bobinha do passado, uma prima pobre esquecida diante de tantos modismos.

Apressados, estressados e esgotados pelo esforço permanente do “ter que fazer”, “ter que correr”, “ter que se dar bem” e “ter que competir”, vamos aumentando, sem perceber, o peso que carregamos na alma. É como se a cada dia acrescentássemos alguns quilos a nossa bagagem e o percurso vai ficando cada vez mais arrastado e mais difícil.

Pra quem não teve a sorte de nascer "leve", leveza é algo que se aprende. Fácil não é, mas é possível. São escolhas diárias que fazemos, pequenas e grandes escolhas: Como vou tratar este colega? Vou passar duas horas reclamando da vida para meus filhos? Quando foi a última vez que tentei ser uma pessoa melhor, mais generosa ou delicada, menos amarga ou agressiva?

Talvez seja hora de colocarmos a alma na balança, aparar as arestas e reduzir as gorduras do espírito.

Quando a alma pesa pouco, viaja-se ou vive-se melhor. E, claro, quem convive conosco agradece.

Leila Ferreira
* Formada em Letras e Jornalismo, com mestrado em Comunicação pela Universidade de Londres. Colaboradora da revista Marie Claire e autora do livro “Mulheres: por que será que elas…?” (Editora Globo), foi repórter da Rede Globo Minas por 5 anos.

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