sábado, 30 de julho de 2011

Cansa


Tem vez que cansa.
Cansam portas fechadas, chaves que não abrem as portas fechadas, a angústia por ainda não se saber como abri-las.
O repetido surgimento do "não" quando a vida da gente prepara incansáveis banquetes de boas-vindas para o "sim".
O "quase" que se prolonga tanto que causa a impressão de ser interminável.
E, à espreita, sempre acompanhando os movimentos da nossa coragem, à distância, a perigosa perspectiva do "nunca", aguardando cada brecha criada pelo cansaço para tentar nos dissuadir dos nossos propósitos.
Tem vez que a vida da gente cansa.
Quando acontece, o melhor a fazer é ouvir-lhe as razões com o coração.
Permitir-lhe o cansaço e uma pausa pra repouso.
Trocar os lençóis, suavizar a luz, massagear-lhe as costas, e lhe dizer mais ou menos assim:

'Descansa um pouco, minha vida. Descansa.

Depois, fica aqui, de novo, inteira comigo. Vem regar as sementes que ainda vão florescer'.

Ana Jácomo

Nenhum comentário:

Postar um comentário