sábado, 11 de junho de 2011

Se olharmos para alguns lugares da nossa jornada com calma, abertura e olhos de escuta, podemos perceber com alguma nitidez que não é raro chamamos de amor um monte de coisas que não são amor. Às vezes agimos como se soubéssemos o que é bom para o outro baseados somente no que sabemos ou intuímos ser bom para nós. Justificamos fazer isso ou aquilo por amor, mas muitos gestos nossos estão a serviço exclusivamente do nosso egoísmo. Da nossa carência. Do nosso medo. Do nosso apego. Dos nossos territórios machucados. Da nossa estreiteza.
Muitas vezes dizemos amar, mas estamos só desrespeitando. Dizemos amar, mas estamos só impondo. Dizemos amar, mas estamos só olhando para nós mesmos. Dizemos amar, mas estamos só fazendo adoecer as belezas disponíveis. Dizemos amar, mas estamos só amarrando sementes e calando primaveras. Dizemos amar, mas estamos só inflando nuvens que escondem cada vez mais o sol. Dizemos amar, mas estamos só dizendo. Amor tem outro cheiro. Outra natureza. Outra frequência. Outro chamado. É para ser luz pra dois, com todas as sombras de cada um.
Ana Jácomo

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