segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Só Corro


Escrevo reto em linhas tortas
pedaços e retalhos de sentimentos
que habitam território do coração.
E feito dedilhado de violão,
procuro harmonia entre acordes e melodias 
para forças antagônicas alinhar:
Mente e coração que se digladiam
qual toureiro e touro bravo em arena.
Um não sabe ceder, o outro não quer recuar.
Metade âncora, deseja permanecer;
Metade barco, deseja navegar. 

Sou água de nascente
que deságua em cachoeira,
para leito de rio acariciar.
Um dia abro asas e me solto no ar.
Imagino nuvem de algodão
com infinito horizonte a me guiar.
Talvez fisicamente conseguirei
ou voarei livre apenas no território do pensar.

E quando as palavras me sufocam,
é que eu eu encontro meu lugar
Como se caneta fosse avião
e o pensamento, bravo comandante a pilotar.
Neste momento, não tenho amarras
O papel vira asas e as letras traduzem
sonhos com desejo de voar.
Sou eu quem determino
e digo o que virá. 
Aqui sou dona do meu caminhar. 
Piso leve, piso fundo
vou até aonde a vista alcançar.

E se alguém duvidar, tenho resposta certa: 
Sou feito água entre margens de terra.
Desvio de pedras e me ajusto
onde preciso estar.
Às vezes calma, às vezes em turbilhão.
Tenho traçado a me delimitar.
Sou córrego. Amanhã serei rio. 

Um dia, corro para o mar…


Liz Midlej

sábado, 7 de julho de 2018

Mais um ano, amor.


Mês de julho chegou, amor.

No calendário Terreno, meio ano já se foi.
As fogueiras foram apagadas e as bandeirolas já não enfeitam os quintais. Guardadas, esperam próximo junho. É que tempo passa assim, feito trem em estação. Corre, corre e não espera quem fica parado em indecisão. Segue apitando seus minutos, dias, anos. Quem vai? Quem fica?

Tem sido tempo de alegria, amor.
Por aqui, verão e outono já passaram. Inverno fez morada e os ipês já mudaram de cor. Agora estão colorindo tudo de roxo, mostrando que florescer não depende de estação. Basta deixar o sol brilhar dentro do peito. E cada folha que vem e vai é promessa de renovação.

Já conto quase meio século de vida, amor.
Quarenta e seis invernos foram embora e os dias frios levaram consigo algumas certezas. Gotas de lágrimas caídas em choro lavaram o peito, molharam semente e fizeram brotar flores que hoje iluminam o sorriso.  
Não sou a mesma de ontem, mas me sinto afortunada com o que ficou. Minha riqueza é medida em coragens e alegrias. Tenho a alma carregada de reconhecimento e gratidão por pessoas e aprendizados que ganhei embrulhados em papel de presente.

Estou vivendo, amor.
As asperezas da vida têm revogado algumas crenças que me faziam bem.
E apesar dos tropeços (ou por causa deles) ainda encontro motivos pra sorrir. Até onde ninguém acha que é possível. Sigo acreditando que a vida tem muita coisa boa a nos oferecer. Acredito mais nos afagos e gentilezas. Na transparência de sentimento, apesar da capa de crueldade que o mundo insiste em vestir. Quero poder olhar para as pessoas com o olhar de dentro para entender o que está fora.
Quero estar em harmonia e equilíbrio entre meus valores e atitudes. Quero ser melhor hoje do que fui ontem.
Só assim vejo sentido em viver.
Só assim topo continuar na estrada.

Que Deus me proteja, amor.
Que eu consiga atravessar a ponte do tempo que falta, sem me deixar contaminar com as mazelas desse mundo em transição. Que eu continue a acreditar na pureza da alma humana, mesmo quando tudo me leva a desacreditar.
Que Deus me conceda mais tempo na estação para encontro de fé com determinação. Encontro de transparência com reserva, na medida certa. Encontro de empatia com solidariedade.

Daqui a pouco os ipês roxos abrirão caminho para os amarelos, que estenderão tapete para os ipês rosas e por fim, a singeleza dos brancos em delicadeza efêmera.
Como os dias, não tardarão a chegar e partir.
É que duram o tempo necessário para arrancar sorrisos do olhar.
E virão dias e mais dias para nossa vida florear.

Flor
e
ar.

Liz Midlej
Julho, 2018

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Roda que gira


1977
Como em todos os anos, hoje a roda do tempo começa a girar mais uma vez para nós e a escadinha, que um dia foi tão simbólica, aos poucos fez-se memória.
Junho e julho vêm feito degraus, para nos trazer rugas e tornar mais longe os dias dourados de infância. Os anos passam e o calendário marca, implacável, o número de páginas escritas no livro dessa existência.
Quem dera tudo permanecesse igual. Quem dera os minutos da infância se transformassem em horas. Mas a vida, feito ampulheta algoz na espreita do tempo que passa, mostra que o espiral dos acontecimentos são indeléveis e nos levam a deslizar em serpentina imaginária, nem sempre suave, nem sempre tão cheia de amorosidade. Mas sempre cheia de vida. Que a paz e a saúde se façam presentes nos dias que seguem. Quem venha 08/06, 10/06, 29/06 e 07/07 para nos mostrar que essa areia pode atravessar mil vezes a ampulheta. Nosso quarteto será sempre lembrado!

Liz Midlej

domingo, 6 de agosto de 2017

Slackline


"Eu não tenho precisão dos caminhos e porquês.
Se alguém me perguntar:
- O que você quer? Qual o seu pedido?
Sabe...? Eu não sei. Eu galopo silêncio.
Estar no fluxo é confiar e eu confio. Para além do querer e da certeza, miro além e me atravesso. Se as lágrimas às vezes brotam, é porque tudo é mar, e também podem transbordar. Elas transbordam em não saber, mas também em agradecer."

(Genifer Gerhardt)

E eu agradeço. A cada esforço feito em conquistas, menores que sejam. Não há motivo para vitimismo:
Cada queda, cada cicatriz,
uma história para contar.
Orgulho do aprendizado
na queda e no levantar...


Liz Midlej

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Dia de namorado


Os teus olhos são espelhos d'água
Refletem brilho suave 
Feito verso de poema
Ter seu carinho cotidiano 
Faz parecer pequeno
Qualquer que seja o problema
Conviver com sua leveza de alma 
Torna o caminho mais perfumado
Que as flores da alfazema

Quero estar sempre ao seu lado
Essa é a vida que escolhi
Com você posso ser quem sou
Posso chorar, posso sorrir
E olhando pra nós tenho certeza
Que o amor que existe aqui
Me fez a mulher mais feliz 
Que no mundo possa existir.

Liz Midlej
*Para meu eterno amor.

sábado, 10 de junho de 2017

Beleza que (re) nasce



Frente a tanto barulho 
Nesse mundo de poucas certezas
Que você permaneça, 
Que inteiro seja.
Que a mudança chegue,
Mas que você não esmoreça
Pois o que a gente leva dessa vida
É coisa simples e tem delicadeza
É saber esbanjar alegria
Mesmo dentro da maior tristeza
É saber estender a mão
Quando a história é de muita dureza
E se você souber dizer, me diz
Apesar das rugas do tempo
Como ser dono de tanta beleza!

Liz Midlej
*Para mais um ano de vida de irmão amado.

domingo, 4 de junho de 2017

No tempo da minha infância


Porque a vida antigamente
Era vida melhor vivida
E tinha mais alegria

Simplicidade era o mote
As relações eram mais fortes
E o pouco nos satisfazia...

Liz Midlej

 = No tempo da minha infância, Cordel de Ismael Gaião

domingo, 28 de maio de 2017

Beija a Flor

Foto: Adélia Almeida

 
A vida, ávida, pede à alma:
                                                   Calma!
                                                   Cala a fala,
                                                   Ama e clama,
                                                   Silencia!
                                                   Acalenta e afaga,
                                                   Espanta do peito a falta
                                                   Acalma!
                                                   Segue o curso,
                                                   Vive o impulso,
                                                   Pede a alma:
                                                   Pulsa!

Liz Midlej

quinta-feira, 30 de março de 2017

Poetiza(r)


Nasci banhada em poesia
É isso ou não sei explicar
Vejo beleza nas coisas simples
Em gente que sorri com o olhar
Um dia a poesia me libertou
Sem grilhões, aprendi a voar
Voo alto, sem medo de mundo
O que eu desejo, ninguém pode dar
Viajar nas palavras que navegam
Feito barco que desliza no mar
Quem quiser conhecer o caminho
Lápis e papel na mão
Liberdade ao pensamento
Para beleza expressar 
Cresci moldada com poesia
Por muito tempo tentei negar
Por medo de mostrar o que sinto
Mas a poesia não me deixou calar
Então registro gritos em versos
Sem medo da tal rejeição
Vou em busca do sim
Pois a princípio já tenho o não
Vivo e respiro poesia
E na poesia encontrei meu lugar
Se existe um sentido pra vida
É o poeta quem deve guiar.

Liz Midlej

domingo, 26 de março de 2017

Se todo mundo fosse cego



"Um cego me disse que se sente feliz em ser cego, e eu perguntei a razão. Ele me
respondeu: Porque tenho a vantagem de ver e querer as pessoas pelo que elas são
e não pelo que aparentam ser."

O mundo precisa de mais gente assim. 
Que vê com
os olhos 
do coração.

Poesia Fábio Brazza

terça-feira, 21 de março de 2017

Longitude



Afastar-se para olhar de longe 
Tem o poder de melhorar a visão
Faz a gente sair da caixinha
E enxergar as coisas com amplidão.

Se mesmo afastando de tudo
Não conseguir entender a situação
Fecha os olhos, olha pra dentro
Fique atento à intuição.

Quando tudo lá fora desalinha
E aqui dentro pulsa confusão
Silencia e busca o equilíbrio
Entre corpo, mente e coração.

Liz Midlej

Que seja do jeito que for


A vida é uma coisa estranha
Ora esquenta, ora esfria
Ora se perde ou se ganha
Ora é tristeza ou folia
Ora tudo se emaranha
De tanto nó que ela cria
Mas depois vem, nos apanha
Em rimas de fantasia

E estes pequenos segredos
É que nos faz não ter medo
De renascer a cada dia.

Jenario

terça-feira, 14 de março de 2017

Poesia do dia


14 de março. E em homenagem ao dia nacional da poesia, deixo aqui o talento desse artista que eu admiro imensamente - Jackson Costa declamando, dentre outros poetas - Patativa do Assaré - poeta cearense que, sem nenhum estudo, fez e faz parte da cultura popular nordestina sendo aclamado em todo o mundo:

Meu verso é como a 'simente'
Que nasce 'inriba' do chão
Não tenho estudo nem arte
A minha rima faz parte
Das obras do coração

= Patativa do Assaré =

domingo, 12 de março de 2017

Era pra ser...



Era pra ser
Terra, mas foi céu
Chuva, mas saiu sol
Banho de sal, mas teve o doce

Dia, mas chegou a noite
Lua, mas foi cheia
Vendaval, mas trouxe calmaria
Conversa fiada, mas virou papo sério

Sorriso, mas se gargalhou
Aperto de mão, mas teve abraço
Beijo no rosto, mas encontrou a boca
Olhar sincero, mas desvendou o ser

Desejo, mas virou querer
Pele, mas queimou a alma
Sintonia, mas virou afinidade
Paixão, mas transcendeu amor


Eu, mas somou você
Simplesmente,
Era pra ser.

Ysiendre Siendre

Flores de Scheilla

Foto: Cris Mascarenhas

Um dia na estrada da vida
Me vi meio perdida a caminhar
Paz, carinho, compreensão, acolhimento
Não conseguia em nada encontrar

Ao chegar nessa casa
Acolhimento e carinho encontrei
Respirei aliviada e prossegui
Uma parte da busca aqui achei

A fraternidade está no nome
E nas ações desenvolvidas
Irmã Scheilla sublime mentora
Guia nossos passos nessa lida

Conheci o Jardim de Scheilla
Rosas, antúrios, margaridas
Esqueci espinhos e cultivei
O estudo da Doutrina e da vida

E encontrei o que fora não estava
Como o perfume das flores daquele jardim
Descobri que a paz que procurava
Estava mesmo dentro de mim.

Liz Midlej
Homenagem ao Jardim da FEIS

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ser mulher é melhor



O que mais entristece uma mulher
Não é a luta árdua, o dia a dia
Não é dos filhos ouvir a gritaria
Não é dormir só quando puder

O que mais entristece uma mulher
Não é o morrer dos sonhos, da fantasia
Não é só ter do lado a companhia
Que nem repara naquilo que ela quer

O que mais entristece a mulher
É ver o tempo de um jeito qualquer
Aos poucos lentamente ser perdido

E às vezes mesmo tão cansada
Ela se sente alguém sem fazer nada
Achando que é bem mais do que tem sido


Jenário