quinta-feira, 30 de março de 2017

Poetiza(r)


Nasci banhada em poesia
É isso ou não sei explicar
Vejo beleza nas coisas simples
Em gente que sorri com o olhar
Um dia a poesia me libertou
Sem grilhões, aprendi a voar
Voo alto, sem medo de mundo
O que eu desejo, ninguém pode dar
Viajar nas palavras que navegam
Feito barco que desliza no mar
Quem quiser conhecer o caminho
Lápis e papel na mão
Liberdade ao pensamento
Para beleza expressar 
Cresci moldada com poesia
Por muito tempo tentei negar
Por medo de mostrar o que sinto
Mas a poesia não me deixou calar
Então registro gritos em versos
Sem medo da tal rejeição
Vou em busca do sim
Pois a princípio já tenho o não
Vivo e respiro poesia
E na poesia encontrei meu lugar
Se existe um sentido pra vida
É o poeta quem deve guiar.

Liz Midlej

domingo, 26 de março de 2017

Se todo mundo fosse cego



"Um cego me disse que se sente feliz em ser cego, e eu perguntei a razão. Ele me
respondeu: Porque tenho a vantagem de ver e querer as pessoas pelo que elas são
e não pelo que aparentam ser."

O mundo precisa de mais gente assim. 
Que vê com
os olhos 
do coração.

Poesia Fábio Brazza

terça-feira, 21 de março de 2017

Longitude



Afastar-se para olhar de longe 
Tem o poder de melhorar a visão
Faz a gente sair da caixinha
E enxergar as coisas com amplidão.

Se mesmo afastando de tudo
Não conseguir entender a situação
Fecha os olhos, olha pra dentro
Fique atento à intuição.

Quando tudo lá fora desalinha
E aqui dentro pulsa confusão
Silencia e busca o equilíbrio
Entre corpo, mente e coração.

Liz Midlej

Que seja do jeito que for


A vida é uma coisa estranha
Ora esquenta, ora esfria
Ora se perde ou se ganha
Ora é tristeza ou folia
Ora tudo se emaranha
De tanto nó que ela cria
Mas depois vem, nos apanha
Em rimas de fantasia

E estes pequenos segredos
É que nos faz não ter medo
De renascer a cada dia.

Jenario

terça-feira, 14 de março de 2017

Poesia do dia


14 de março. E em homenagem ao dia nacional da poesia, deixo aqui o talento desse artista que eu admiro imensamente - Jackson Costa declamando, dentre outros poetas - Patativa do Assaré - poeta cearense que, sem nenhum estudo, fez e faz parte da cultura popular nordestina sendo aclamado em todo o mundo:

Meu verso é como a 'simente'
Que nasce 'inriba' do chão
Não tenho estudo nem arte
A minha rima faz parte
Das obras do coração

= Patativa do Assaré =

domingo, 12 de março de 2017

Era pra ser...



Era pra ser
Terra, mas foi céu
Chuva, mas saiu sol
Banho de sal, mas teve o doce

Dia, mas chegou a noite
Lua, mas foi cheia
Vendaval, mas trouxe calmaria
Conversa fiada, mas virou papo sério

Sorriso, mas se gargalhou
Aperto de mão, mas teve abraço
Beijo no rosto, mas encontrou a boca
Olhar sincero, mas desvendou o ser

Desejo, mas virou querer
Pele, mas queimou a alma
Sintonia, mas virou afinidade
Paixão, mas transcendeu amor


Eu, mas somou você
Simplesmente,
Era pra ser.

Ysiendre Siendre

Flores de Scheilla

Foto: Cris Mascarenhas

Um dia na estrada da vida
Me vi meio perdida a caminhar
Paz, carinho, compreensão, acolhimento
Não conseguia em nada encontrar

Ao chegar nessa casa
Acolhimento e carinho encontrei
Respirei aliviada e prossegui
Uma parte da busca aqui achei

A fraternidade está no nome
E nas ações desenvolvidas
Irmã Scheilla sublime mentora
Guia nossos passos nessa lida

Conheci o Jardim de Scheilla
Rosas, antúrios, margaridas
Esqueci espinhos e cultivei
O estudo da Doutrina e da vida

E encontrei o que fora não estava
Como o perfume das flores daquele jardim
Descobri que a paz que procurava
Estava mesmo dentro de mim.

Liz Midlej
Homenagem ao Jardim da FEIS

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ser mulher é melhor



O que mais entristece uma mulher
Não é a luta árdua, o dia a dia
Não é dos filhos ouvir a gritaria
Não é dormir só quando puder

O que mais entristece uma mulher
Não é o morrer dos sonhos, da fantasia
Não é só ter do lado a companhia
Que nem repara naquilo que ela quer

O que mais entristece a mulher
É ver o tempo de um jeito qualquer
Aos poucos lentamente ser perdido

E às vezes mesmo tão cansada
Ela se sente alguém sem fazer nada
Achando que é bem mais do que tem sido


Jenário

segunda-feira, 6 de março de 2017

Lugar de coração

Corumbá, MS

Parei ali naquelas fotografias. Carregadas de simbologia.

Eu e fotografia parada ali no tempo, feito quadro de parede, a dizer que relógio parou para contemplar emoção. Há silêncio, mas também preenchimento de saudade que cá me abriga. Acolhe. Abraça. Porque tem hora que saudade abraça a gente até que esmaga. 

E paisagem que um dia fez batida de coração mais lenta,  hoje deixa silêncio. Deixa conexão com o sentir. Deixa gratidão por cores e movimentos que olhos presenciaram e pela harmonia de orquestra de passarinhos que, em doce valsa, tornavam momento singular, suave feito toque de piano. Natureza é coisa divina. Coisa de Deus a nos lembrar que somos pequenos grãos em mundo imenso, encantador.

Só respiração se fazia presente naqueles momentos. Tudo o mais era silêncio a acariciar. Nenhum grito é maior que sopro, dizia poeta. O rio corria sereno, como se não quisesse atrapalhar. E o sol se despedia dizendo que tudo tem fim. Que unidos, fim e início, os ciclos se navegam. E lentamente, quase sem querer quebrar o encanto, a noite vinha majestosa a enfeitar de estrelas o véu negro do céu, como a querer mostrar que a sua dualidade também tem beleza. Dia e noite em continuidade, feito ciclo de vida, feito tudo que finda e tudo que nasce. Tudo que brota e sepulta.

São muitas as fotografias. São muitas as saudades. E o lugar lá longe, láááá do outro lado do mapa, tornou grande a gratidão de [vi]ver. E vem um sentir forte de carinho por aquele lugar. Sentir. Sem ti. 

Parece conexão fechar olhos e sentir lugar. Sentir a brisa, o cheiro, o sonho. em morros, céu, ruas, rios, gente, momentos bons. Gente boa, de bem. Gente que acolheu com coração. Memória é algo grandioso, que faz a gente sentir tristeza e alegria. Tudo junto. Porque momento bom imprime lembrança em alma feito carimbo e a gente relembra pedacinhos de dias costurados em colcha de retalho, que nem pausa suave de vírgula, que nem criança que pede pra brincar de novo. 

E a gente lembra, lembra, lembra. E sabe que aquele lugar chama coração para voltar. E um dia a gente volta. Para atender pedido de coração.
Um dia
A gente
Volta.

Liz Midlej

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Sobre Viver

Na foto: Adélia Almeida, 2017

A Sede de estrada
Sufoca
A ânsia de liberdade
Aperta
O medo do fracasso
Corrói
A vontade de viver
Impera
A certeza de Amar
Existe
A incerteza da direção
Aflige
A ausência da lágrima
Alegra
A cura da dor
Alivia
A felicidade de ser
Extasia
A dúvida que atormenta
Persiste
O amor que recebe
Abraça
A vida que acontece
Recomeça

Liz Midlej

Poetizar


Escutei de alguém um dia 
Como é boba essa minha mania 
De querer olhar o mundo
com olhos de poesia

Não consegui responder
Palavras nessa hora me fugia
Porque tem gente que enxerga a vida
Sem amor, sem cor, sem harmonia

Mas posso olhar de outro jeito
Encontrar em tudo alegria
Na natureza que encanta
Na música que enebria
Até no gesto simples
Da criança que sorria

E mesmo quando 
Algumas vezes me via
Feito folha em correnteza
Com a alma em agonia
Ainda assim, escrevia
E o que em mim calava
O papel me traduzia

O que agora quero em demasia
É que de mim não se apague
A capacidade de sonhar
E enxergar o mundo
Com meus olhos de poesia

Liz Midlej

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ação x consequência


O que passamos na vida
Tem por certo uma razão
De cada coisa perdida
Cada desfeita ilusão
De cada nova partida
Cada sim e cada não
De cada velha ferida
Que nos sangra o coração
As escolhas foram livres
Mas as consequências não.

| Jenário |

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Entre Linhas

Cama de Gato. Foto: Google

Vida essa
Minha.
Livro decerto aberto.
Pingos nos is.
Definir, explicar, ir.
Meia palavra não basta.
Falar de alma
Coração acalma.
Ser inteira, ser faceira.
Ser eu, ser eu.
E se não for suficiente?
Se avexe, não.
Extravasa, moça!
Falar transforma o ar,
O lar,
O ser,
O estar.

Liz Midlej

Oficina da alma




Bonita essa coisa simbólica das ferramentas.
É que as pedras e pedregulhos no caminho abrem feridas na alma e criam casca grossa e vão deixando ferramentas de brinde até nascer uma oficina dentro da gente.
E a gente fica sem saber usar feito analfabeto que olha as letras e só enxerga um emaranhado de sinais.
Crescemos assim, com bocado de defesas, se achando os donos das técnicas de decifrar sinais de tempo bom e de maré que não está pra peixe. E mesmo assim a gente insiste em pescar. Melhor seria se nascêssemos craques de bola nessa arte de saber lidar com problemas de vida e de gente.
Mas segue assim mesmo.
Segue com ou sem ferramentas a artesanal arte das relações. Feito bordado todo emaranhado de instantes.

Liz Midlej

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Elos do tempo


Em tempos diferentes
Vamos traçando nossa linha
Não se demore a pensar no tempo futuro
Nem se lamente pelo tempo que tinha 


Relembre a doçura da criança que foi
E o tempo lhe dirá
Que a doçura permanece
Na criança que vem depois.

Liz Midlej

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Fim do mundo


"Alguém falou do fim do mundo,
O fim do mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos e todos por um"

Legião Urbana, em "Vamos fazer um filme"

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Falta ar. Faltar.


Faltar. Falta ar.
Faltar algo.
Feito chegar do trabalho, fim de tarde e encontrar a casa vazia.
O vazio do silêncio. Da casa.
Assim seguia, cheia de incertezas. Estava dilacerada.
Fibra a fibra. Coração destruído.

E se a luz do sol insistisse em entrar, não lhe era permitido.
A porta estava fechada. Trancada. Porque o amor padecia.
Tinha tentado atravessar a rua afobado e foi atropelado no meio da avenida.

E percebeu cansaço. 
Queria colo. Tinha fome. Queria violar regras. Comer uma pizza inteira num domingo, três da tarde. Ler Leminski em voz alta na madrugada e passar algumas horas só assistindo ao por do sol. Porque precisava lembrar que não seguir algumas regras, de vez em quando, é bom e faz bem a alma. Gente tem que ser de verdade, sem frescura, com todas as emoções humanas. Porque perdas e fracassos são inevitáveis, mas subverter a ordem das coisas quase sempre é o tempero que falta.

Queria Faltar? Não. Queria faltar ar.
E vida segue rumo, buscando rumo. Impertinente feito birra de gente.
Transitando entre razão e coração. Querendo ser e estar, mas sem conseguir ser nem estar. E ficando, ficando. Sentindo a alma sentada na porta de casa assistindo filme de realidade.

E como diz poeta:
Um dia, se houver pulso.
se houver...
pulso.

Liz Midlej

Coração de hoje



(...) E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão 
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Fernando Pessoa, Autopsicografia.

Retrato de ontem


Foi meio estranho. Arrumando armário, encontrei retrato assim, meio cinza, meio sem brilho. Parei o mundo para olhar aquela fotografia e... 
Não consegui me identificar com a imagem.

Era como olhar livro e autor. Difícil saber que parte dele permanece na obra. Porque depois de pronta o autor não é mais o mesmo. Passou um rio dentro - o rio da vida. E muda tudo.

Talvez ela esperasse mais do futuro, talvez não. E o mundo flutuava no olhar perdido, como a buscar algo que não encontrava ali.

A vida passou feito viagem de trem, apitando a cada chegada e partida na estação. Teve gente que saltou desse trem com ele ainda em movimento, mas teve gente que ficou e persistiu bravamente em sua companhia porque sabe que a viagem tem muitos sacolejos, mas o prazer de ser verdade, de rir e chorar e persistir é bem mais valioso. Faz amor florescer.

Dava para sentir cheiro de lembranças, feito cheiro de café fresco. Ninguém saberá de sonhos não vividos, de paixões invioláveis, do querer voar, de vitórias pequeninas e secretas. Ninguém. 

Mas o tempo, grande aliado, mostrou que a viagem tem sido memorável. Cheio de rugas e quereres. Cheio de amor fundo. Cheio de paz. De crescimento interior.
E ela sorri. Agradece pelas pessoas rasas que se foram. E pelas pessoas preciosas que quiseram ficar. Por ela passaram e resolveram ficar. Pelo menos.

E ela sorri.
Só ri.

Liz Midlej

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Grilhões Partidos


Há dias em que nos sentimos felizes com nós mesmos. Felizes por conquistas pequenas, coisa pouca, significado maior.

São pequenas superações. A coragem de sair, arriscar, quebrar a casca do ovo, ir ver o mundo lá fora, ver se ainda vale o acordar.
E quando sentir que chega hora de decisão que faz ser gente maior do que é, pensar maior, sentir maior e descobrir que precisa se livrar de correntes imaginárias e ir?

Tem que conferir, viver, se deixar levar, mesmo sem saber do que vem pela frente. Feito entrar no cinema sem ler a sinopse do filme só pelo sabor de surpresa.

Ser Humano é assim. Meio medroso, meio cético. E se..? E se...? Mas a vida não quer nem saber do medo. Ela empurra, provoca o tempo todo a sair do quadrado e diz que ter só vontade é pouco.

A vida é bem sabida. Dá um monte de bons momentos, mas exige amor próprio e muita coragem pra desfazer as amarras dos modelos mentais estereotipados.
E no final, mesmo que o sujeito bata o pé na teimosia, um dia aprende a ter certeza de que pode muito. Pode mais.

E quer saber?
Sem medo, vamos lá fazer o que será!

*Liz Midlej*

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Lua de luz

Super lua, outubro, 2016
Foto: Mari Antunes, MS, Brasil
A lua me fascina
Em todo canto
E seu magnetismo
Alucina um tanto
Embala meus sonhos
E me seca o pranto
Quem dera meu olhar tivesse
A beleza e a poesia
Tal a luz que a envolve
Com a brancura do seu manto.
Cá da cidade sua beleza se esconde 
Entre carros e arranha-céus
Mas da minha janela posso ver 
E por minutos penso ser só meu
Todo esse seu encanto.

*Liz Midlej*